Consulte os nossos Deveres de Informação — Intermediário de Crédito registado no Banco de Portugal (N.º 7912)
Voltar ao Blog
Crédito HabitaçãoNovembro de 2026·8 min de leitura

Crédito Habitação Recusado: O Que Fazer Depois de Ouvir um "Não" do Banco

Emprego estável, algumas poupanças e a casa já escolhida. Vai ao banco onde tem conta há anos e ouve um "não" seco, com pouca explicação. Se lhe aconteceu algo parecido, fique já com uma ideia: um "não" não é o fim da história.

Uma recusa é a resposta de uma instituição, com os critérios dessa instituição, para o seu caso naquele momento. Há recusas que se resolvem com um pequeno ajuste, outras que pedem um plano de alguns meses e algumas que, de facto, só se resolvem noutro banco. O mais importante é perceber qual é o seu caso.

Neste artigo explicamos as causas mais comuns de recusa, o que fazer a seguir, passo a passo, e como pode voltar a tentar com muito mais probabilidade de sucesso. Sem jargão e sem promessas impossíveis.

Um "não" é a resposta de um banco, não do mercado

Cada banco tem os seus critérios

Cada banco tem a sua própria política de risco: como analisa o tipo de contrato de trabalho, como trata os rendimentos variáveis, que margem dá às exceções e que spread pratica para cada perfil. Por isso, o mesmo cliente pode ser recusado num banco e aprovado noutro, com condições bastante diferentes. Não é incoerência: é a forma como o setor funciona.

Isto não quer dizer que qualquer pessoa consiga crédito em qualquer banco. Quer dizer que, antes de desistir, vale a pena perceber a razão da recusa e se faz sentido apresentar o processo a outras instituições. Explicamos como comparar propostas no nosso guia para comparar bancos.

As 5 razões mais comuns para uma recusa

1. Taxa de esforço acima do limite

Desde agosto de 2026, os bancos só podem aprovar um crédito habitação, em regra, se a soma de todas as prestações do agregado não ultrapassar 45% do rendimento líquido (o limite anterior era de 50%). Se o seu processo ficou acima disso, é uma das causas mais frequentes. Veja o que mudou com as novas regras.

2. Outros créditos e cartões a pesar

É comum pensar que só o salário conta. Na verdade, o crédito automóvel, o crédito pessoal e os cartões de crédito entram todos na taxa de esforço. Duas pessoas com o mesmo ordenado podem ter capacidades de crédito muito diferentes, consoante os compromissos que já têm.

3. Avaliação do imóvel abaixo do preço de compra

O banco manda avaliar o imóvel e financia o menor entre dois valores: uma percentagem do preço de compra e uma percentagem da avaliação. Se a avaliação ficar abaixo do que combinou pagar, a diferença tem de sair do seu bolso, o que pode obrigar a rever todo o plano. Mais abaixo mostramos um exemplo.

4. Registos de incumprimento

Prestações em atraso ou incumprimentos ficam registados na Central de Responsabilidades de Crédito, gerida pelo Banco de Portugal, e os bancos consultam-na. Mesmo um atraso que considere pequeno ou antigo pode pesar na análise. Por isso é útil saber o que lá consta antes de pedir crédito.

5. Vínculo laboral, documentos ou prazo

Muitos bancos dão preferência a vínculos estáveis, por isso um contrato a prazo ou um período experimental pode pesar. Documentação incompleta ou inconsistente também atrasa ou compromete processos, e a idade influencia o prazo máximo do crédito e, por isso, o valor da prestação.

O que fazer a seguir: 6 passos

1. Peça o motivo da recusa

Pergunte ao banco qual foi a razão da decisão e peça, se possível, que lhe seja explicada por escrito. Sem saber a causa, qualquer nova tentativa é um tiro no escuro.

2. Faça as contas da taxa de esforço

Some todas as prestações mensais (a casa nova incluída), divida pelo rendimento mensal líquido do agregado e multiplique por 100. Se der mais de 45%, já sabe onde está o problema. Se estiver entre 35% e 45%, está numa zona de atenção. Pode também usar os nossos simuladores para fazer esta conta com mais rapidez.

3. Consulte o seu mapa de responsabilidades de crédito

Pode pedir ao Banco de Portugal o seu mapa de responsabilidades de crédito, para ver exatamente o que está registado em seu nome: créditos ativos, valores em dívida e eventuais incumprimentos. Às vezes há surpresas, como um cartão esquecido ou um crédito que julgava liquidado.

Pode fazê-lo online, seguindo estes passos:

  1. Aceda ao portal: visite a página da Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal.
  2. Selecione o período: escolha o mês e o ano pretendidos (ou deixe a data atual selecionada para ver a informação mais recente).
  3. Aceite as condições: leia e aceite os termos relativos ao tratamento de dados pessoais.
  4. Autentique-se: clique em "obter mapa" e autentique-se com as credenciais do Portal das Finanças (NIF e senha) ou com o Cartão de Cidadão (com leitor de cartões ou Chave Móvel Digital).
  5. Transfira o documento: o ficheiro em PDF, com o quadro síntese e a informação detalhada dos contratos, é descarregado automaticamente para o seu dispositivo.

Por segurança, se usar um computador público ou partilhado, apague o PDF da pasta de descargas e dos ficheiros temporários.

4. Veja o que pode ajustar

  • Reduzir prestações: liquidar um cartão ou um crédito pequeno pode baixar a taxa de esforço mais do que parece.
  • Juntar rendimentos: um segundo titular com rendimento pode mudar o resultado.
  • Reforçar a entrada: menos capital financiado significa uma prestação mais baixa.
  • Ajustar o valor do imóvel: um imóvel ligeiramente mais barato pode caber onde o primeiro não coube.
  • Rever a estrutura das dívidas: em alguns casos a consolidação de créditos reduz o peso mensal.

5. Evite insistir no mesmo banco com o mesmo processo

Se nada mudou no seu perfil, é pouco provável que a resposta mude. Só vale a pena voltar ao mesmo banco depois de ter ajustado o que causou a recusa.

6. Peça ajuda a quem conhece os critérios de cada banco

Um intermediário de crédito conhece as políticas de vários bancos e sabe a quem faz mais sentido apresentar cada processo e como o preparar. É a forma mais rápida de evitar uma segunda recusa.

Exemplo: quando a avaliação fica abaixo do preço

Imagine que combinou comprar uma casa por 200.000 €. Em regra, a maioria dos bancos financia até 90% da escritura ou 85% da avaliação, e o banco financia o menor destes dois valores. Veja o que acontece consoante a avaliação:

Avaliação = preçoAvaliação abaixo do preço
Preço de compra200.000 €200.000 €
Avaliação do banco200.000 €185.000 €
90% do preço / 85% da avaliação180.000 € / 170.000 €180.000 € / 157.250 €
Valor financiado (o menor)170.000 €157.250 €
Entrada necessária30.000 €42.750 €

Valores ilustrativos. A percentagem financiada varia de banco para banco e de caso para caso.

A diferença de 12.750 € na entrada é a que apanha muita gente de surpresa. Por isso é importante falar connosco antes de assinar o contrato-promessa, e não depois.

Como um intermediário de crédito o pode ajudar

Como intermediários de crédito registados no Banco de Portugal (n.º 7912), analisamos o seu caso com calma, identificamos a causa provável da recusa e dizemos-lhe com franqueza o que é possível ajustar, e em quanto tempo. Depois pedimos propostas a vários bancos em simultâneo e explicamos cada uma em linguagem simples. Se o momento ainda não for o certo, ficará com um plano para lá chegar.

O serviço é gratuito para o cliente: quem nos remunera são os bancos.

Antes de desistir da casa, fale connosco

Um "não" de um banco não é um "não" definitivo. Ajudamo-lo a perceber o que aconteceu, o que pode mudar e a que banco faz sentido voltar. A análise é gratuita e sem compromisso.

DSI Crédito Leiria Beira Rio — Intermediário de Crédito registado no Banco de Portugal n.º 7912. Não concedemos crédito — fazemos intermediação e ajudamos na comparação e encaminhamento junto de várias instituições financeiras. Sujeito a aprovação bancária.